Algumas reflexões sobre Amamentação

Artigo escrito para a B de Brincar por: Laura Martins


“Mamã eu também mamei?”
O leite materno é, salvo raras excepções, o alimento mais adequado para o bebé, devendo idealmente ser oferecido em exclusivo até aos 6 meses de vida do bebé. E que continua a ter uma enorme importância durante a introdução da alimentação complementar.

O pediatra norte-americano Thomas Brazelton escreveu num dos seus livros “ O leite materno é próprio para os bebés. O leite de vaca é próprio para os bezerros!”. Esta frase ilustra como devemos sempre que possível respeitar as leis da natureza!

Amamentar nem sempre é fácil, muitas vezes surgem dificuldades e requer empenho…mas é bom! Aliás é o melhor para a mãe e para o filho!

Tem vantagens únicas:

  • É um alimento estéril, completo, natural adequado à imaturidade digestiva, renal, metabólica e neurológica do bebé. Assim sendo é a forma mais segura de o alimentar.
  • É a forma mais Económica, fácil e prática de alimentar o bebé. E com a embalagem mais atractiva do mercado!
  • Além disso o leite materno previne parcialmente as infecções gastro-intestinais e respiratórias, mantendo-se este efeito protector mesmo após a suspensão do aleitamento materno.
  • O leite materno diminui o risco de obesidade e Diabetes Mellitus. Parece exercer um efeito protector sobre a doença atópica, especialmente quando existem antecedentes familiares de atopia.
  • Promove involução uterina e a mãe volta à sua forma física mais rapidamente.
  • Associa-se a um menor risco cancro da mama e outros tipos de cancro na mãe.
  • Permite à mãe vários momentos de intimidade com o seu bebé, aumentando inequivocamente o vínculo mãe-filho.
O horário não é o mais importante; o bebé deve ser alimentado quando tem fome – chama-se a isto o regime livre –, não se devendo impor ao bebé um regime rígido. No entanto não se deve deixar o bebé dormir mais de 3 horas durante o primeiro mês de vida, aconselhando-se por isso a amamentar os bebés entre 8-12 x por dia. Quando o bebé está pronto para mamar abre a boca e agita a cabeça à procura da mama, faz movimento de sucção/põe dedos na boca, mostra impaciência e por fim chora. Se a mãe reconhecer estes sinais de prontidão para mamar facilmente identifica quando o bebé deve ser alimentado.

O uso de chupetas ou biberãos é desaconselhado enquanto a amamentação não estiver bem estabelecida. O uso de chupeta na maternidade tem sido associado a redução do tempo de sucção na mama e como consequência a menor estimulação efectiva da mama; Por outro lado a pega faz-se de forma diferente na mama e na chupeta/tetina – o que contribui para baralhar os bebés!

O uso de leite artificial não é isento de riscos. Está associado a desmame precoce, ingurgitamento mamário, expõe o bebé a possíveis alérgenos e intolerâncias e reduz a confiança da mãe. Para além ser mais dispendioso. Por estes motivos os leites artificiais só devem ser usados quando prescritos por um profissional de saúde.

Deve ser evitada a "balançomania". Não é recomendada a pesagem excessiva do bebé, muitas vezes geradora de ansiedade nos pais e como tal contraproducente. A periodicidade da pesagem deve ser adequada ao bebé em questão. Também é normal haver picos de crescimento que fazem com que as necessidades do bebé aumentem e sejam necessários uns dias até que se restabeleça o equilíbrio entre aquilo que o bebé mama e o que a mama produz. Isto não significa que o leite materno não é bom, nem deve levar à desistência da amamentação.

O sucesso do aleitamento materno depende de vários factores. Um dos principais é a motivação da mãe para o seu início e o apoio dos profissionais de saúde e da família para a sua manutenção. A mãe deve ser informada dos apoios existentes no caso de ter dúvidas ou dificuldades relacionadas com a amamentação. Já existem muitos hospitais e centros de saúde com cantinhos da amamentação que poderão ser a ajuda de que necessita.

Boas Brincadeiras!

Por Laura Martins
Pediatra, Neonatologista, Conselheira em Aleitamento Materno e Mãe de 2 rapazes especialmente reguilas