Crianças, brincar e proteção ambiental… O que têm em comum estas palavras?
Artigo escrito para a B de Brincar por Oficina de Psicologia
Com a recente Cimeira do Clima em Paris, conferência na qual se discutiram os efeitos das alterações climáticas e medidas para as combater, a temática da proteção do meio ambiente esteve novamente em voga. É indiscutível a importância deste evento e do que dele resulta, mas é preciso contar com os esforços de todos – das partes que assinaram os acordos, das empresas, das organizações não-governamentais e dos cidadãos. Deste modo, todos temos de contribuir para esta causa e urge sensibilizar as futuras gerações. Mas e se lhe disserem que há determinadas crianças que não irão preocupar-se tanto em proteger a natureza? Quais? Segundo George Monbiot (jornalista e ambientalista), serão as crianças que estão fechadas em casa e que brincam pouco na natureza.
Com a azáfama do dia a dia, quer das crianças quer dos pais, e a menor autonomia para brincar na rua, o contacto com a natureza torna-se pouco frequente. As crianças têm um estilo de vida mais sedentário, com um ecrã tecnológico à frente grande parte do tempo livre.
Sabemos que a brincadeira é um fator promotor de desenvolvimento físico, linguístico, cognitivo, emocional e social e que brincar ao ar livre em espaços verdes tem diversos benefícios, a nível de saúde física e mental, comprovados em vários estudos científicos em diferentes países.
Deste modo, se brincar é uma forma de conhecer e explorar o mundo que a rodeia, descobrindo, observando, criando, etc., então, quanto mais a criança conhecer e interagir com a natureza, maior será o seu interesse e preocupação pelo meio ambiente.
Todos desejamos uma Terra sustentável para os filhos, mas é necessário criar crianças melhores para cuidar do planeta. Observar e explorá-lo com curiosidade, permitirá que a criança se percecione como ser integrante, dependente, transformador e, acima de tudo, que tem um papel importante para o futuro.
Em família, em vez de passear em espaços fechados, porque não visitar jardins botânicos, o campo ou a praia? Passear, andar de bicicleta, trotineta ou patins são ótimas formas para praticar exercício físico ao ar livre e opções de deslocação não poluente. Responsabilizar a criança para cuidar de uma planta que semeou, fazer jogos como caça ao tesouro, concurso de fotografia (a plantas ou animais), plantar árvores, fazer voluntariado em associações ambientais são algumas sugestões para o contacto dos mais pequenos com a natureza.
Assim, nada melhor que aliar um desenvolvimento pleno das crianças através da brincadeira na natureza com a promoção de sensibilização para a necessidade de preservação ambiental, de forma a viverem num planeta ecologicamente sustentável.
Por Raquel Carvalho
Psicóloga Clínica - Oficina de Psicologia
