Brinco, logo existo!
Artigo escrito para a B de Brincar por Oficina de Psicologia
Falemos de coisas sérias, falemos de brincar! Parece-lhe contraditório? Talvez, mas acredite que brincar é das coisas mais sérias, importantes e cruciais do desenvolvimento humano. Não é apenas algo divertido, agradável e que se faz porque sabe bem. Não, não é só isso. Brincar é imperativo, é basilar tal como alimentação. À primeira vista pode até soar a exagero, mas de facto não é. Sabe porquê?
Porque brincar faz isso mesmo: brincar alimenta:
- Afetos: brincar permite expressar emoções, partilha emocional. Quando a criança brinca com a sua boneca, está a aprender a cuidar, aprende a tratar bem. E quando brinca com ela está a dar afeto, só pelo simples facto de estar ali, de entrar no universo dela sem reservas, sem barreiras.
- Criatividade: brincar é criar, é inventar, é idealizar, é sonhar, projetar. Tudo isto é a base que depois sustenta a criança no seu percurso escolar e mais tarde no seu percurso profissional. Consegue agora perceber toda a carga de aprendizagem que se esconde atrás de cada “Tive uma ideia, vamos brincar a um jogo novo!”? Brincar é promoção cognitiva no seu esplendor.
- Competências Sociais: o brincar é um dos primeiros palcos das relações interpessoais. A brincar a criança aprende a estar em relação com o outro, aprende a renegociar, aprende a gerir conflitos, aprende que por vezes é preciso ceder, aprende a ser um ser social, para além de um ser individual.
- Auto-estima: brincar é dar e receber. É estar num permanente feedback. A brincadeira permite à criança divertir os outros, tornar-se importante para outras crianças, permite experienciar o sentimento de pertença. Tudo isto é estrutural para a formação de uma auto-estima saudável.
Em resumo, brincar alimenta a vida: é na brincadeira que a criança aprende, cresce, adapta-se e amadurece. As bases mais importantes do ajustamento psicológico estão aqui.
Por tudo isto lembre-se: brincar é coisa séria! Brincar é viver e prepara para a vida. Por isso, brinquem muito! Brinquem sempre!
Por Sandra Azevedo
Psicóloga Clínica - Oficina de Psicologia
